O capuz negro dava um ar soturno à figura que se postava na porta da sala. O conjunto, coturno, calça preta, camiseta preta (um tanto quanto apertada) e finalmente, o manto negro, faria qualquer homem, por mais insignificante que fosse, aparentar-se perigoso e ameaçador, ou ainda permitiria entrada franca para uma festa a fantasia daquelas, camarote talvez. Mas a pessoa junto à entrada do cômodo não necessitaria de nenhum apetrecho especial para tornar-se perigoso. Era um ladrão, e do pior tipo. Seu olhar por si só traduzia o medo, seu sorriso ostentava a malícia, além é claro de um incisivo de ouro puro, 18. É do tipo de gente que faz o homem mais corajoso não pensar duas vezes, e ao simples vislumbre, com certeza atravessar a rua. Perito na arte de roubar, tinha como hobby a subtração de dados, mas também nas horas vagas aproveitava para furtar as cartas, as fichas, a carteira gorda dos jogadores, a sorte dos vencedores e a esperança dos perdedores. Com pouco de paciência surrupiava até mesmo a imparcialidade suspeita do crupiê. Encontrava-se ávido, faminto, pronto para saciar seu interminável capricho inescrupuloso.
-A llave. - Disse o ladrão com uma voz gutural, sotaque latino forçado.
-Que chave? - Perguntou Zumbi.
-Vim buscar la chave de la mansión, su tempo acabou, é hora de deixar este mundo, tu no és mas necessário. - Caberia aqui uma trilha sonora lúgubre, tocada por um mariachi depressivo, pra combinar.
-Quem é você e como entrou aqui? - Zumbi começou a traçar um plano de fuga em sua cabeça, era bom em conversar sobre um assunto e pensar noutro.
-Yo Conozco la mansión desde que era apenas um plano. La ajudei a construir, participei de la obra em segredo. Conozco todos los cantos, todas las entradas e salidas. Ahora precisamos de la llave, ella abre mas do que apenas la puerta de entrada. Onde está ella, vá falando, tengo pressa. - Nisso o larápio castelhano apresentou um punhal com cabo de ferro, adornado com esmeraldas e opalas, um pouco exagerado na verdade.
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